Saturday, November 16, 2013

"Da relação entre limpar seu próprio banheiro e abrir sem medo um Mac Book no ônibus."

Da relação entre limpar seu próprio banheiro e abrir sem medo um Mac Book no ônibus

Esse texto vale também para a realidade do Canadá. Não tiraria nem uma vírgula nem ponto. Parabéns ao Daniel Duclos, que mora na Holanda e descreveu bem o sentimento de viver em uma sociedade mais igual. 
 
E fico imgainando que no Rio de Janeiro, não podemos falar no celular no centro da cidade, que dirá andar com laptop no ônibus. Só mais um detalhe, Montréal tem aproximadamente  1.6 milhões de habitantes e até esse mês, novembro, aqui tivemos 26 homicídios.

Boa leitura! :)

 
Daniel Duclos

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.

Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções -  estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?

Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).

Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.

Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não têm qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” -  não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.

PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.

Autor: Daniel Duclos

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Sunday, November 3, 2013

Brasil x Canadá - As modelos da TAM x As senhoras da American Airlines


Sei que esse lance de comparar Brasil x Canadá as vezes é chato, mas ao mesmo tempo vale para pensarmos um pouco em nosso valores. No Brasil, quando o jornalista Heraldo Pereira começou a apresentar o Jornal Nacional (JN), a Rede Globo divulguo como se fosse um ato histório: "O primeiro negro a apresentar o JN". Na boa, isso para mim é motivo de vergonha, não de orgulho. Onde o que deveria ser normal vira notícia. Aqui na América do Norte, você pega as companhias aéreas e basta ver a tripulação; a média de idade é de 50 anos e claramente são pessoas 'normais', no Brasil só tem modelos. Aqui no Canadá, a mesma coisa, pessoas idosas; fora do padrão de beleza brasileira e negros trabalham na TV, nos jornais e as pessoas mais velhas aqui encontram trabalho. No Brasil, lembra-se do ter "boa aparência" nos classificados de empregos. Bom, tudo isso para dizer que nosso país, mesmo com toda miscigenação ainda tem muitos preconceitos: idade; raça; nível social e etc. Coisa que aqui eu quase não percebo e se existe é muito pouco. Meus amigos que moram aqui, podem me corrigir. Vale para pensar, mas infelizmente só quem mora em outro país pode perceber bem a diferença.

Thursday, October 31, 2013

Estão dizendo: Au revoir Quebec!


Tenho que confessar que depois de 5 anos aqui, esse papo de separação da província do Quebec e as políticas sem noção do atual partido no porder me deixa muito chateado.
A matéria abaixo mostra porque as pessoas estão deixando a "Belle Province"(assim é chamada carinhosamente o Quebec, a "Bela Província"). Pessoas que nasceram aqui e que tem o inglês como idioma materno; o francês e demais imigrantes. O Quebec, tem tudo para ser uma província forte economicamente, mas com o tipo de política do Partido Quebecois (PQ), eu estou vendo que a economia aqui parece andar a passos mais lentos que de uma tartaruga e aumentando a divisão entre os habitantes da província, a cada mês o número de pessoas que deixam a província só aumente, atualmente 17500 até o presente momento aproximadamente. Gosto muito daqui, mas cada dia que passa penso mais em ir embora para o lado inglês. Não sou obrigado a ficar aqui e como me disseram uma vez: "Se você quiser falar inglês, você tem o resto do Canadá e os EUA".
Não é que eu quero falar inglês, acho que quanto mais idiomas eu falar melhor, mas parece que para muitos aqui isso não vale. Muitos que estão indo embora, procuram uma província mais estável política e econômicamente.

Veja a matéria em inglês abaixo: Moving On: Why Quebecers are saying adieu

Sunday, October 6, 2013

Diário do inferno - Cracolândia.

Não precisamos morrer para ver o que seria o inferno; o umbral; seja o que for que você chamar, eles estão espalhados por todo o Brasil e se chama 'cracolândia'. Infelizmente essa é uma realidade que parece estar longe de acabar.

Morando aqui no Canadá, acompanho muito o que acontece no Brasil e conversando com uma amiga americana, quando estava no Rio de férias conversamos sobre o Crack. Ela me disse que Nova Iorque já passou por algo parecido, ela é do Brooklyn uma região de lá. Um dos vários problemas do Crack é que se uma mulher grávida é dependente da droga a criança já nasce com o vício também.

Hoje o que eu poderia fazer daqui seria doar um valor simbólico para uma instituição séria para resgatar essas vidas acho que nós no Brasil, o brasileiro, quer jogar tudo nas costas do governo, um pouco diferente do pensamento daqui, na América do Norte, no geral. Como cidadão, além do governo devemos fazer a nossa parte, porque como sociedade deveríamos ajudar mais uns aos outros, não devemos julgar essas pessoas e sim ajudá-las a sair deste tipo de vida. Há várias formas de ajudar, se você conhece alguém que usa o crack ou se tem algum amigo que conhece; não julgue as vezes uma palavra de conforto já ajuda. Ajudar não necessariamente é dar dinheiro; roupa ou comida. Mas as vezes um sorriso; uma palavra amiga já ajuda.

Bom, acho é por ai que eu penso, criticar não resolve nada e ficar aqui escrevendo só coisa bonita também não. As pessoas que precisam de ajuda precisam mais de boas ações do que palavras bonitas.

Até o próximo post.

"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota."
Madre Teresa de Calcuta

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Sunday, August 25, 2013

Preço justo! Mas será que o brasileiro parou para pensar?

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Não gosto de converter valores quando se compara preços de produtos Brasil x EUA. Por que nos EUA se ganha e se gasta em dólar e no Brasil se ganha e se gasta em real.

Enquanto um Ford Fusion, o modelo mais barato sai a R$ 92.990,00 no Brasil. Nos EUA o mais barato custa US$ 21.900,00 e o mais caro US$ 30.500,00.

Isso quer dizer que no Brasil o carro custa 122 salários mínimos (Estado do Rio de Janeiro R$ 763,14) e nos EUA 18 salários mínimos (Estado de Maryland R$ 1257,00).

Bom, enfim, mesmo convertendo, a versão mais cara dos EUA sairia mais barato que no Brasil. Esse é o preço do seu "status". Enquanto no Brasil carro é isso: status, na América do Norte é um simples bem de consumo e para nós brasileiros que gostarmos de ostentar, pelo menos a maioria, então vamos pagar caro por isso literalmente. 

Quer preço justo? Pare de tratar marcas como símbolo de ostentação. Tente ser mais humilde e com pés no chão. Carro é despesa, te deixa mais pobre e em países civilizados é um bem de consumo não te deixa melhor que ninguém.

Fontes:

Saturday, August 17, 2013

Divaldo Franco no Canadá


Você sabia que Divaldo Franco, hoje com 86 anos já veio ao Canadá há 15 anos atrás? Agora ele está aqui para compartilhar conosco todo o seu conhecimento; carisma e boas vibrações e por isso gostaria de convidar a todos que estão buscando um caminho espiritual; iniciados na doutrina espírita e também os que já conhece há mais tempo o espiritísmo a não deixar passar esta grande oportunidade de ver este grande e simples homem aqui no Canadá.

Ele estará em Montréal; Quebec e Toronto. Veja as datas e mais detalhes das palestras abaixo:

22 de setembro - Cidade de Quebec

Maiores informações sobre o evento na cidade do Quebec aqui.
Adquira seu ingresso para o evento na cidade do Quebec:
http://www.ceakquebec.com/evenements1.ws

24 de setembro - Montréal

Maiores informações sobre o evento e compra do ingresso para o evento em Montréal, aqui.
Adquira seu ingresso para o evento em Montreal:

26 de setembro - Toronto

Maiores informações sobre o evento em Toronto, aqui.
Adquira seu ingresso para o evento em Toronto:
http://www.torontospiritistsociety.org/Divaldo2013

Quer saber mais sobre Divaldo Franco, clique aqui.


Sunday, August 4, 2013